08/06/2016

A Greve dos Corticeiros

Silves, 1924


Foram 90 dias de greve em que os operários sem salários se viram a braços com uma enorme calamidade. A fome atingiu as famílias, não tendo como proteger e alimentar as crianças, decidiram enviar os seus filhos para famílias solidárias de Lagos e Vila Real de Santo António, mas muitas outras ficaram no centro da confusão. A greve terminou após um confronto violento entre as forças policiais e os corticeiros, da qual resultou num morto e catorze feridos, entre os quais nove crianças.

Texto de Aníbal Martins

A Taxa de Radiodifusão


Reprodução da taxa de radiodifusão sonora relativa a 1976, aplicada pelo Estado português a todos os possuidores de recetores radiofónicos. Pagável em duas mensalidades semestrais, era destinada ao financiamento da Emissora Nacional que havia sido nacionalizada no ano anterior e passado a chamar-se RDP.

A Roda dos Expostos

Casa da Roda - Martinlongo - Alcoutim

O mecanismo consistia num cilindro giratório, colocado verticalmente com duas portas paralelas e embutido na parede exterior do edifício. A exposição ocorria quando uma criança era colocada do lado exterior e, ao toque da campainha, a rodeira fazia girar o tombo e acolhia no interior, sem nunca ver o expositor. Filhos de relações ilegítimas ou legítimas cujos progenitores não tinham condições económicas para os sustentar.

Texto de Anibal Martins

Forte da Barreta

Forte da Barreta


No cimo de um pequeno mamelão, que se levanta na parte de noroeste da ilha da Barreta, existem ligeiros vestígios de um forte, que era destinado a bater a entrada da pequena barra daquele nome, a antiga Barra Velha.
Em “Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses”, publicado em 1948 pelo general João de Almeida.

Apresentado por  João Guerreiro

11/05/2016

Abolição da Pena de Morte


A 1 de Julho de 1867, Portugal abolia a pena de morte para todos os crimes que não fossem do âmbito militar, com a aprovação do novo código civil.
O primeiro passo de carácter legislativo foi dado em 1852 com a abolição da pena para os chamados «crimes políticos».
Onze anos mais tarde, a 3 Julho de 1863, o deputado Ayres Gouveia, propunha a supressão do ofício de carrasco da pena de morte em todos os crimes, incluindo os militares, mas o ofício de carrasco acabaria extinto antes da abolição da pena de morte para os crimes civis, em 1867. O ultimo carrasco ao serviço do Ministério Público foi Luis António Alves dos Santos, «o negro». 
A ultima execução por crime de âmbito civil ocorreu no Algarve em Lagos em Abril de 1846. Confirmado pelos documentos da Misericórdia de Lagos onde, na acta de 22 Abril, se pode ler « acompanhamento do réu José Joaquim Grande, condenado à Pena Capital» o condenado já executado, foi retirado da forca e o seu corpo sepultado pela Misericórdia no cemitério da freguesia o que parece tratar-se do ultimo enforcamento na Praça de Armas em Lagos.




A ultima mulher condenada à pena de morte em Portugal chamava-se Luísa de Jesus foi executada a 1 de Julho 1772.
Nasceu em Coimbra, aos 22 anos decide ir buscar um bebé abandonado na «roda» em Coimbra dando sinais de uma alma caridosa. Recebeu 600 réis e um enxoval, que a instituição entregava a todos aqueles que aceitassem tomar conta dos infelizes bebés indesejados. No total esta mulher levou para casa 33 bebés, até ser descoberta pelas autoridades. Confessou que os envenenava mal chegava a casa. Por estes crimes hedíondos foi levada ao cadafalso.


texto e fotos recolhidos aqui

30/04/2016

O Hotel Nicola

foto via facebook

O edifício do antigo hotel Nicola fica no centro histórico de Faro, num quarteirão da mouraria, junto às ruas Ivens e Tenente Valadim e terá sido edificado na segunda metade do século XIX, tendo-lhe posteriormente sido acrescentado o terceiro piso. No 2º andar residiu o pintor Lyster Franco. 
Em 1946, Francisco Martins Seruca modificou o seu estabelecimento de ourivesaria, tendo aberto novos vãos no piso térreo. 
Um dos seus hóspedes mais famosos terá sido José Bento Ferreira de Almeida, deputado e par do reino, que de uma das janelas do edifício se dirigiu à população de Faro. O Nicola foi também o primeiro café da cidade de Faro.

foto via facebook
 Informação de João Guerreiro


"No Hotel Nicola ficavam alojados os doentes de sífilis que vinham tratar-se a Faro com o Sr Assis. 
O Dr Constantino Cumano (era um) médico italiano que possuía a fórmula para a cura da sífilis."




Informação e foto de Jorge Rodrigues 


06/03/2016

O Senhor do Padrão

Já foi a Ermida do Senhor do Espinheiro (porque está na antiga Praia do Espinheiro do lugar de Matosinhos do concelho e Julgado de Bouças) e do Senhor do Padrão.


 
Localizado no sítio do Espinheiro junto ao atual Molhe Sul do porto de Leixões, o local on
de, diz a lenda, terá dado à costa a 03/05/124, terça-feira (ano 164 da Era Romana), uma das 5 imagens de Jesus Cristo crucificado que tinham sido esculpidas em madeira da Judeia por Nicodemos (fariseu convertido a discípulo de Jesus, que conviveu com ele nos seus últimos dias) depois de este ter ajudado José de Arimateia a descer da Cruz e a embalsamar o corpo de Jesus Cristo e ter ficado com o Santo Sudário (ligaduras de linho perfumadas de mirra e aloés, que José de Arimateia colocou sobre o corpo de Cristo antes de ser sepultado, o qual possibilitou a impressão da imagem de Jesus).
É um alpendre edificado em granito com 4 arcos de volta perfeita abertos nas suas 4 fachadas que estão emoldurados por pilares e rematados no fecho por cartela com coroa (um frontão semicircular com fogaréu coroa cada uma destas faces), albergando um crucifixo ladeado pelos 4 Evangelistas (imagens pintadas de 4 Apóstolos de Jesus Cristo) e apresentando características barrocas que o leva a ser identificado como sendo do séc. XVIII.
Ao centro, sobre um soco de 3 degraus, assenta o cruzeiro de braços quadrados, revestido a azulejos policromados numa das faces, em que se representa a imagem de Cristo; defronte, foi edificada uma mesa de altar, também forrada com painéis de azulejo simulando tecido.
Junto à estrutura do alpendre, num nível mais baixo do terreno, foi erigido um fontanário de espaldar em granito, protegido por guarda de ferro, que recria o modelo estrutural e decorativo do padrão, decorado com azulejos.
Na base da cruz deste verdadeiro padrão da fé, inscreve-se a data de 162 (124 na Era Cristã) que corresponderia, segundo a lenda, ao achado da imagem incompleta (sem o braço esquerdo); no lado oposto, o número 50 refere-se ao espaço de tempo que, segundo a lenda, demorou a ser encontrado o braço que faltava (a 03/05/174, outra terça-feira) por uma idosa que andara a apanhar gavetos no Areal do Prado para acender a sua lareira.
No seu interior, destaca-se, ao centro, a imagem do Bom Jesus sobre um altar de azulejos; nas suas 4 faces, foram gravados no granito textos que foram sendo apagados ao longo do tempo:
no lado Norte,
'HEC (haec) VERA / PISCINA EST / LAVAMIMI'
('Esta piscina é verdadeira. Lavai-vos'),
no lado Oeste,
'HABETO (habete) FIDEM / MAIORA HIS / VIDEBITIS' ('Tende fé. Vereis coisas importantes'),
no lado Sul,
'HAVEAS /AQVAS / DE FONTIBVS / SALVATORIS'
('Que tenhas águas de fontes do Salvador')
e no lado Leste,
'OMNES / SITIENTES / VINITE (Venite) ADA (O) VAS 1726' ('Todos Vós que tendes sede, (vinde) Adão (?) Vas 1726'.
O surgimento de uma fonte de água doce no local em 1733, então reputado como 'miraculoso', deu origem à construção mais pequena que pode ser observada junto ao zimbório.
No ano de 1755 para 1756, pagou-se 11$785 reis ao mestre ferreiro João Baptista pela obra da porta da fonte do Senhor do Padrão; em 1790, pagou-se 1$100 reis por uma fechadura e chapa para a fonte do Senhor do Padrão e 12$800 reis a um pintor pelo retoque dos 4 Evangelistas; em 1794, pagou-se 33$853 reis por uma Imagem de Azulejo para o Padrão e pelo frete do seu transporte de Lisboa para o Porto; em 1797, pagou-se 12$605 reis pelo azulejo da Imagem do Senhor do Padrão; em 1798, pagou-se 2$605 reis para assentar azulejo da Cruz do Senhor do Padrão e 108$290 reis por fitas para medidas da Igreja e do Padrão; em 1800, pagou-se 15$405 reis por mais uma pintura dos 4 Evangelistas; em 1812, pagou-se 12$575 reis a António José Vieira por novos azulejos pintados (Os azulejos pintados com a efígie do Bom Jesus, aplicados na Cruz, tiveram de ser substituídos, total e, por ventura, também parcialmente, atendendo a que foram feitas 2 encomendas de azulejos separadas por 3 anos, sendo a 2.ª encomenda de valor muito inferior ao da 1.ª).
Na ata da reunião da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Bom Jesus de Bouças, a 10/081884, encontra-se mencionada a quantia de 105 mil e 103 reis para a vedação da Memória (Senhor do Padrão); na ata de 10/03/1907, lê-se que, na respetiva reunião da Mesa, o Juiz propôs um certo n.º de medidas que foram aprovadas por unanimidade, a impor ao encarregado de zelar pela conservação do Senhor do Padrão, alojado na casa contígua, gratuitamente, em troca dessa obrigação (uma delas dizia respeito à água da fonte do Monumento, a qual só podia ser fornecida mediante uma esmola, fosse qual fosse a sua importância, e que tinha de ser introduzida obrigatoriamente na respetiva caixa ali existente e o incumprimento de qualquer uma dessas medidas seria igual a despedimento do zelador do Senhor do Padrão).
Este imóvel foi classificado como Monumento Nacional pelo art. 1.º do Decreto-Lei n.º 129/77, de 29 de setembro.

Texto da autoria de José Rodrigues