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03/02/2017

Infância Desvalida



A Tutoria Central da Infância de Lisboa

As leis e instituições de proteção de menores.


Em Maio de 1911 foi promulgada a Lei de Protecção à Infância.

"Entravam rôtos nos calabouços - rôtos, sujos e esfomeados. Entregues à vadiagem, sem domicílio, sem os cuidados de família que impõem a hygiene da alma e do côrpo, dormindo nas escadas ou nos predios em construcção, mendigando nas horas em que o furto não produzia o necessario ao alimento - para que a mendicidade produzisse, cultivavam a immundicia e o trapo. Mas se os calabouços os recebiam rôtos e sujos, entregavam-nos à rua, ou transferiam-nos para a cadeia n’um estado de miseria confrangedora. Esfrangalhados, cobertos de vermes.”
(Pedro Augusto Moreira de Castro, Juiz Presidente da Tutoria Central da Infância de Lisboa - 1912)












Mencionado por João Nunes da Costa

10/02/2016

O Palácio de São Bento


Convento antes de ser Palácio das Cortes, Assembleia Nacional e Assembleia da República, S. Bento foi também , no tempo da peste de 1569, hospital improvisado. O terramoto de 1755 pouco o afectou e, logo em 1757, veio instalar-se aqui o principal arquivo português: o Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Em 1834, passou a albergar as câmaras dos Deputados e dos Pares. Destruído por um incêndio em 1895, o edifício estava ainda em obras no início do século XX, sob projecto de Ventura Terra. De 1917 a 1938, construíram-se as novas fachadas, assim como um corpo avançado com frontão e uma escadaria monumental [...]

PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA
  Marina Tavares Dias



 

08/02/2016

Carnaval


"O Carnaval tem a sua origem no culto prestado pelos romanos a Saturno, que se caracterizava por festas cuja temática incidia na inversão dos papeis sociais. Em Lisboa, reis e nobres disfarçavam-se também, no século XVIII, D. Pedro II, D. João V, tornaram-se "frades" e "mendigos" em alguns Entrudos, D. José I tomava parte nas aventuras com os capotes brancos, as rainhas D. Francisca de Sabóia, D. Sofia de Neubourg e D. Mariana de Áustria introduziram na corte os bailes de máscaras, participando na festa a figura do arlequim.

 
No Carnaval do século XIX é introduzido o desfile pelas ruas de Lisboa, o corso, constituído por carros ornamentados, partia da Avenida da Liberdade, seguia pelo Rossio e subia até ao Chiado, percorrendo os cafés e passando pelas ruas cujas janelas estavam ornamentadas com colchas de seda. Pelo caminho, os foliões: o "janota", o "galego", a "sopeira", o "político" divertiam-se por entre tumultos e "batalhas", revelando a nítida influência do Carnaval parisiense, aprumando-se os guarda-roupas e surgindo o Xé-Xé. Esta foi a figura mais típica do Carnaval lisboeta até 1910, também conhecido por peralta ou o pisa-flores, o Xé-Xé era a verdadeira caricatura miguelista, com a sua cabeleira e casaca garrida, de rendas de punho e chapéu bicórnio que percorria com o corso as ruas da cidade chamando e agitando os foliões. 









 
Com a Implantação da República, o velho Carnaval é considerado bárbaro e de mau gosto, perdendo-se assim a velha tradição e remetendo-se os bailes a festas privadas, imobilizando-se a festa na rua com o medo de se cair no ridículo ou no excesso".


                                                                                                               Texto In Revelar LX CML

30/11/2015

Severa, a Rainha do Fado

Maria Severa Onofriana, celebrizou-se como "Severa", tornada o ícone de primeira fadista pelos seus amores e pelos fados que cantava, tocava e dançava, no bairro da Mouraria.
Nasceu em Lisboa em 1820 e morreu de tuberculose e apoplética a 30 de Novembro de 1846, num miserável bordel da Rua do Capelão, na Mouraria (freguesia do Socorro), tendo sido sepultada no Cemitério do Alto de São João, numa vala comum, sem caixão.
Consta que as suas últimas palavras terão sido: “Morro, sem nunca ter vivido” — tinha apenas 26 anos.

Dina Teresa em A Severa, o nosso primeiro filme sonoro (1931)


A actriz Palmira Torres, primeira interprete de " A Severa"

05/09/2015

Beco do Chão Salgado



 "AQVI FORAO AS CAZAS ARAZADAS E SALGADAS DE IOZE MASCARENHAS EXAUTHORADO DAS HONRAS DE DVQUE DE AVEIRO E OUTRAS E CONDEMNADO POR SENTENÇA PROFERIDA NA SUPREMA JUNTA DA INCONFIDENCIA EM 12 DE JANEIRO DE 1759 IUSTICIADO COMO HUM DOS CHEFES DO BARBARO E EXECRANDO DESACATO QVE NA NOITE DE 3 DE SETEMBRO DE 1758 SE HAVIA COMMVLADO CONTRA A REAL E SAGRADA PESSOA DE EL REI NOSSO SENHOR D. IOZÉ NESTE TERRENO INFAME SE NÃO PODERA EDIFICAR EM TEMPO ALGVM".

Num pequeno beco mesmo junto aos Pasteis de Belém, chamado Beco do Chão Salgado, existe um padrão memória que se destina a evocar um acontecimento histórico. Após o atentado falhado contra Dom José I, foram executados alguns dos nobres envolvidos e arrasado o palácio do Duque de Aveiro que aí se localizava, sendo salgado o chão para que nada mais se construísse ou nascesse neste local . O padrão data de 1759 e é de autor desconhecido.
Com o tempo, essa determina
ção foi esquecida e o padrão encontra-se rodeado por edificações e esquecido por muitos dos que passam nesta zona.


O monumento é composto por uma coluna, envolta em 5 anéis, um por cada cabeça derrubada, assente sobre uma base quadrangular e degrau.

                                                                Fotografia Ana Luísa Alvim | CML
                                              Arquivo Municipal de Lisboa, Armando Serôdio.SER/I03703



 

02/09/2015

Aforamento e Casas Foreiras




Placas indicadoras a que instituição determinada casa era foreira. Normalmente, era a um convento (S. Pedro de Alcântara, S. Vicente de Fora, etc.), à Mitra ou ao Cabido, ou então à Câmara. Havia também forma de identificar quem eram os senhores do domínio directo do prazo sem recorrer a palavras, como por exemplo o uso de uma mitra esculpida sobre a porta, um arcanjo esculpido (no caso do Porto, símbolo do Cabido da Sé). 
O aforamento, ou emprazamento, era um contrato enfitêutico que gerava o desmembramento da propriedade em dois domínios. O senhorio, titular do domínio directo, cedia a outrem (foreiro) o domínio útil de um bem fundiário, impondo-lhe o cumprimento de encargos diversos, nomeadamente o pagamento de um foro. O aforamento podia ser perpétuo ou em vidas. Os prazos de vidas distinguiam-se, quanto à forma de transmissão do domínio útil, entre os de nomeação livre (a vida vigente tinha liberdade para nomear a sua sucessora) e os de nomeação restrita (as vidas eram determinadas aquando da celebração do contrato). Independentemente desta diversidade de situações, o aforamento conferia ao enfiteuta um vínculo estável com o imóvel e um leque alargado de direitos de propriedade, nomeadamente a faculdade de o alienar, ceder ou subenfiteuticar, desde que com o consentimento do senhorio. (1)

Lisboa, Rua do Olival

Casa foreira a S. Vicente
 
Funcionava como um mecanismo de controlo exercido por parte daquilo a que hoje chamaríamos "os senhorios" (mas que não eram bem bem senhorios, porque arrendamento e emprazamento eram coisas diferentes), mecanismo de controlo usado sempre que havia dúvidas ou era considerado necessário. Por exemplo, um foreiro deixava de pagar o foro e alegava não ter de pagar nada, por não haver título válido de emprazamento. Depois de provado em tribunal que afinal existiam provas documentais, em como certo edifício estava em chão que havia sido emprazado sucessivamente pela instituição x ou y, esta poderia mandar colocar uma placa no edifício, para reafirmar a posse do domínio directo do prazo.
Embora por motivos diferentes, algumas irmandades insculpiram ou colocaram placas também nos túmulos que tinham a seu cargo.



informação dada por Francisco Queiróz e Manuela Alves  
(1) - Fonte J. V. Serrão, M. Motta e S. M. Miranda (dir), 
e-Dicionário da Terra e do Território no Império Português 

18/08/2015

Jogos na Pedra

Igreja Menino Deus - Lisboa

 Já ouviu falar em jogos de há centenas de anos, gravados em pedra na nossa cidade? Provavelmente já vimos estas gravações e passaram-nos despercebidas. Foram extremamente populares na Lisboa de outrora, quando se utilizavam estas bases para jogar no espaço público. Sobrevivem ainda 29 tabuleiros de jogo, gravados sobre pedra na zona de Lisboa, localizados nas zonas mais antigas.
Aqui vos mostramos um dos tabuleiros para jogar alquerque, que se encontra na escadaria de acesso à Igreja Menino Deus, gravado em época posterior a 1711 ( data em foi construída a Igreja). O jogo de alquerque ou jogo do moinho, teve origem no Oriente e tornou-se muito popular em Portugal na Idade Média. Trata-se de um jogo de estratégia a ser jogado por duas pessoas.


Lídia Fernandes, in "Tabuleiros de jogo inscritos na pedra : um roteiro lúdico português" Lisboa ,Apenas Livros, 2013