20/04/2018

O Celeiro de S.Francisco



Celeiro na cerca do Convento de São Francisco Erigido na primeira metade do século XVIII, num terreiro então denominado Horta dos Cães, que se situava entre a cerca muralhada construída em torno de Faro no século XVII e a cerca do Convento de São Francisco, este edifício é a única edificação civil de planta octogonal existente no Algarve.
Foi mandado construir pelo Desembargador Veríssimo de Mendonça Manuel, que ao longo de toda a primeira metade da centúria de Setecentos patrocinou a construção de diversas obras em Faro, nomeadamente o conjunto da Quinta do Ourives, a Casa das Figuras e o Solar do Capitão-mor. Indissociável deste percurso mecenático do Desembargador é a figura de Diogo Tavares de Ataíde, mestre pedreiro algarvio que executou todas as obras encomendadas por Mendonça Manuel.

Informação na página

05/04/2018

A Catraia

Catraia no porto de Leixões
 
As catraias eram barcos dos finais do século XIX e princípio do século XX, com os quais se pescava a sardinha, o congro e a faneca.

31/03/2018

Senhor da Pedra

 
Autor: Rui M. Henriques
 
A Capela do Senhor da Pedra fica situada na Praia de Miramar, freguesia de Gulpilhares, concelho de Gaia, sobre um rochedo, mais concretamente, um afloramento rochoso com cerca de 280 milhões de anos.

Embora o painel de azulejos da entrada indique o ano de 1686 como o ano da construção, existe no arquivo paroquial de Gulpilhares um documento datado de 1794  onde Francisco Caetano de Sousa Sacramento, abade de Golpilhares de Gaya diz que, há 40 anos foi ereta pelo abade José Barbosa Pereira, seu antecessor, a capela do milagroso Senhor da Pedra junto ao mar daquela freguesia com as esmolas dos fiéis. Assim sendo, e como não existe qualquer documento comprovativo da data inicial, a capela poderá datar da segunda metade do século XVIII. 
 
É um local de culto, cuja origem poderá remontar a um antigo culto pagão de povos pré-cristãos, de carácter naturalista, e posteriormente convertido ao Cristianismo.

De planta hexagonal, tem no seu interior um altar-mor e dois retábulos laterais de talha dourada em estilo barroco.

De cada lado da entrada da Capela, encontra-se um painel de azulejos monocromático de cor azul, com as seguintes inscrições:
  • do lado esquerdo: "O LOCAL ONDE SE LEVANTA ESTA CAPELA DO SENHOR DA PEDRA É CERTAMENTE O MAIS ANTIGO LUGAR DE CULTO DA FREGUESIA ANTES DE NELE SE CELEBRAR A CRISTO SERIA ALTAR PAGÃO"
 
  • do lado direito: "A ORIGEM DO GRUPO POPULACIONAL DE GULPILHARES REMONTA A MAIOR ANTIGUIDADE COMO BEM SE DEMONSTRA COM O NOTÁVEL ESPÓLIO ARQUEOLÓGICO QUE NESTA REGIÃO TEM SIDO ACHADO"
 Três lendas estão associadas à Capela do Senhor da Pedra. Uma apresenta a edificação da capela como forma de agradecimento pela intercessão divina no salvamento de um grupo de pescadores num naufrágio. Outra refere que o aparecimento de clarões de luz por cima dos rochedos seria um sinal divino para aí ser construída a capela. Outra ainda, esta talvez a mais divulgada, atribui o local da capela ao exato lugar onde a imagem de Cristo teria dado à costa e o sinal divino seria a patada do boi bento que aquecia Jesus no presépio.

A romaria ao Senhor da Pedra ocorre no domingo da Santíssima Trindade (Maio ou Junho).


 

30/01/2018

A Capela da Senhora da Hora



A capela da Senhora da Hora em 1833, numa gravura da autoria de Joaquim Cardoso Vilanova (1793 - 1850). De notar, para além do frondoso arvoredo, a localização à esquerda da primitiva fonte da Sete Bicas num estilo característico do século XVII (a actual é uma reconstrução do século XIX numa posição diferente da original). Ainda não tinha torre sineira.

Texto e Fotografia de José Manuel Varela

A torre sineira foi construida por José Ferreira Junior (Pipeiro), Mestre Pedreiro, em 1911.A casa que se vê nas traseiras da capela, é a Capela da Nossa Senhora da Penha, que tem a frente virada para a Avenida da Sra.da Hora.

Informação de Artur Rocha

A Capela da Senhora da Hora na atualidade

Fotografia de Vítor Monteiro 

16/08/2017

Caixão de esfrega



O caixão de esfrega, ou caixão de lavar,  servia para apoiar os joelhos quando se esfregava os soalhos com o célebre sabão amarelo. Como o pavimento era de tábuas de madeira, as mulheres, de joelhos, esfregavam-no com sabão e uma escova de pelo bem rijo. Por debaixo dos joelhos, as mulheres costumavam colocar um pano espesso de lã.

28/03/2017

Invasões Francesas



O relato dos acontecimentos de 29 de Março de 1809 segundo o pároco de Lordelo: “Aos vinte e nove dias de Março, pelas nove horas da manhã, infelizmente entrou uma coluna do exército francêz por esta freguesia de Lordelo, matando todas as pessoas que encontrava, não somente dentro de suas cazas, mas também fora dellas, saqueando-as e roubando-as ao mesmo tempo e fazendo todo o género de hostilidades. Mandando proceder na averiguação das pessoas que morreram, pertencentes a esta minha freguesia e que eram meus freguezes, e que todos foram sepultados pelos campos e caminhos desta freguesia, por ordem do governo francêz então dominante, achei serem estes” .


 

Documento onde se lê "Manoel, filho legitimo de Manoel Francisco de Sousa, do lugar de Pereiró, desta freguezia de Ramalde, foi morto pelos franceses na invasão que fizeram nesta freguezia, no dia 29 de março de mil oitocentos e nove". E continua repetindo quase cerca de cem nomes de mortos dos lugares de Francos, Campinas, Requesende, Ramalde de Baixo, etc.
Há 208 anos atrás, no dia 29 de Março de 1809, durante a 2ª invasão francesa, que iria dar origem à conhecida tragédia da Ponte das Barcas, o exercito francês entrou em Ramalde matando toda a gente que encontrava pelo caminho.

Publicação de José Manuel Varela



08/03/2017

Do Desporto Escolar ao Futebol

Equipa do Liceu da Horta, Açores, em 7 de Fevereiro de 1910

O desporto escolar na Europa iniciou-se com eficaz sucesso nas ilhas britânicas. Sabemos também que nos países nórdicos, em particular na Suécia e Dinamarca, os colégios de elite, davam especial ênfase à máxima latina «mens sana in corpore sano» (alma sã em corpo são), incentivando as actividades físico-desportivas de forma competitiva.
Em Portugal essas ideias já haviam sido esboçadas pelos nossos iluministas da educação, sobretudo Ribeiro Sanches e Luís António Verney, que influenciaram a criação do Colégio dos Nobres, onde a prática regular de exercícios físicos era considerada fundamental para o aperfeiçoamento da esgrima e da equitação, essas sim, áreas de formação curricular específica.
No século seguinte, os colégios do ensino privado em Lisboa - e excepcionalmente, no Porto (no colégio do pai do Ramalho, onde o Eça estudou, já se faziam pela manhã exercícios de adestramento físico) - praticavam-se actividades gimnodesportivas, para incrementar entre os jovens as relações de amizade, o culto da camaradagem e da competição saudável.
O desporto escolar, embora iniciado no século XIX, seria na centúria imediata que tomaria o seu caminho de progresso e de institucionalização oficial. Nesse aspecto, a República e os novos projectos educativos então levados a cabo, tendentes à libertação das classes desfavorecidas através da educação, foram decisivos para o desenvolvimento do desporto escolar. Existem inúmeras notícias, na imprensa dos primórdios de Novecentos, que relatam actividades desportivas nas nossas escolas do ensino secundário e até universitário.
Mas o que eu não sabia, nem imaginava, era que o futebol já estivesse enraizado no ensino escolar ainda antes da República, nomeadamente nas ilhas dos Açores, como se comprova por esta foto da equipa do Liceu da Horta, obtida em 7 de Fevereiro de 1910. Os jovens, acompanhados do seu presidente (treinador), envergam um equipamento nitidamente inglês - calção até ao joelho, meias altas, botas acima do tornozelo, e bola de couro cozido aos gomos. Curiosamente o "jersey" é de bico, não tem a forma de camisa, como era apanágio dos equipamentos britânicos oitocentistas.
Para terminar faço lembrar que a prática do futebol nasceu entre as classes operárias britânicas, representando as primeiras equipa os bairros londrinos, os sindicatos e só mais tarde os colégios e escolas públicas. O primitivo jogo da bola, depois aperfeiçoado com as novas regras que deram origem ao futebol, tornou-se num símbolo de afirmação popular dos Wighs, posteriormente empalmado pelo partido trabalhista. Os Torys, partido conservador, em contraposição, apoiou a formação de equipas representativas de instituições de elite, mas também de vilas e cidades, cujas cores mais comuns eram o azul ou o branco. As equipas mais populares, oriundas das classes obreiras, usavam sobretudo a cor vermelha.