 |
Equipa do Liceu da Horta, Açores, em 7 de Fevereiro de 1910 |
O desporto escolar na Europa iniciou-se com eficaz sucesso nas ilhas
britânicas. Sabemos também que nos países nórdicos, em particular na
Suécia e Dinamarca, os colégios de elite, davam especial ênfase à máxima
latina «mens sana in corpore sano» (alma sã em corpo são), incentivando
as actividades físico-desportivas de forma competitiva.
Em Portugal
essas ideias já haviam sido esboçadas pelos nossos iluministas da
educação, sobretudo Ribeiro Sanches e Luís António Verney, que influenciaram
a criação do Colégio dos Nobres, onde a prática regular de exercícios
físicos era considerada fundamental para o aperfeiçoamento da esgrima e
da equitação, essas sim, áreas de formação curricular específica.
No
século seguinte, os colégios do ensino privado em Lisboa - e
excepcionalmente, no Porto (no colégio do pai do Ramalho, onde o Eça
estudou, já se faziam pela manhã exercícios de adestramento físico) -
praticavam-se actividades gimnodesportivas, para incrementar entre os
jovens as relações de amizade, o culto da camaradagem e da competição
saudável.
O desporto escolar, embora iniciado no século XIX, seria
na centúria imediata que tomaria o seu caminho de progresso e de
institucionalização oficial. Nesse aspecto, a República e os novos
projectos educativos então levados a cabo, tendentes à libertação das
classes desfavorecidas através da educação, foram decisivos para o
desenvolvimento do desporto escolar. Existem inúmeras notícias, na
imprensa dos primórdios de Novecentos, que relatam actividades
desportivas nas nossas escolas do ensino secundário e até universitário.
Mas o que eu não sabia, nem imaginava, era que o futebol já
estivesse enraizado no ensino escolar ainda antes da República,
nomeadamente nas ilhas dos Açores, como se comprova por esta foto da
equipa do Liceu da Horta, obtida em 7 de Fevereiro de 1910. Os jovens,
acompanhados do seu presidente (treinador), envergam um equipamento
nitidamente inglês - calção até ao joelho, meias altas, botas acima do
tornozelo, e bola de couro cozido aos gomos. Curiosamente o "jersey" é
de bico, não tem a forma de camisa, como era apanágio dos equipamentos
britânicos oitocentistas.
Para terminar faço lembrar que a prática
do futebol nasceu entre as classes operárias britânicas, representando
as primeiras equipa os bairros londrinos, os sindicatos e só mais tarde
os colégios e escolas públicas. O primitivo jogo da bola, depois
aperfeiçoado com as novas regras que deram origem ao futebol, tornou-se
num símbolo de afirmação popular dos Wighs, posteriormente empalmado
pelo partido trabalhista. Os Torys, partido conservador, em
contraposição, apoiou a formação de equipas representativas de
instituições de elite, mas também de vilas e cidades, cujas cores mais
comuns eram o azul ou o branco. As equipas mais populares, oriundas das
classes obreiras, usavam sobretudo a cor vermelha.